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Bun: o runtime JavaScript que não veio para brincar

Postado por Eduardo Marques em 10/01/2026
Bun: o runtime JavaScript que não veio para brincar

Durante muitos anos, falar em runtime JavaScript fora do navegador significava basicamente uma coisa: Node.js. Ele dominou o mercado, criou um ecossistema gigantesco e virou praticamente sinônimo de backend em JavaScript. Depois veio o Deno, tentando corrigir erros históricos do Node. E agora, mais recentemente, surge o Bun — não como mais uma alternativa experimental, mas como uma proposta ousada de reimaginar performance, simplicidade e integração desde a base.

Neste artigo, quero explicar o que é o Bun, por que ele existe, como ele funciona por dentro e, principalmente, em que cenários ele realmente faz sentido hoje.

 

O que é o Bun?

O Bun é um runtime JavaScript moderno, criado por Jarred Sumner, escrito majoritariamente em Zig, e projetado com um objetivo muito claro:

Ser extremamente rápido, simples de usar e completo desde o primeiro comando.

Diferente do Node.js, que depende de dezenas de ferramentas externas, o Bun já nasce como um runtime tudo-em-um, incluindo:

  • Runtime JavaScript

  • Gerenciador de pacotes

  • Bundler

  • Transpiler

  • Test runner

Tudo isso em um único binário.

 

Bun não roda em V8 — e isso muda tudo

Uma das decisões mais importantes do Bun é não usar o V8, o motor JavaScript do Google (usado pelo Node.js).

Em vez disso, o Bun utiliza o JavaScriptCore, o mesmo engine usado pelo Safari.

Por que isso importa?

  • O JavaScriptCore tem inicialização mais rápida

  • Menor overhead de memória

  • Melhor integração com código nativo quando bem arquitetado

Somado a isso, o Bun é escrito em Zig, uma linguagem focada em:

  • Performance

  • Controle explícito de memória

  • Segurança sem garbage collector

O resultado é um runtime que inicia absurdamente rápido e executa várias operações comuns (como leitura de arquivos, parsing de JSON e resolução de módulos)
com desempenho superior ao Node.js.

 

Performance: hype ou realidade?

Aqui não é só marketing.

Em benchmarks reais, o Bun costuma ser:

  • 2x a 4x mais rápido que o Node.js em:

    • Instalação de dependências

    • Start de servidores

    • Execução de scripts

  • Muito mais rápido em bundling (superando Webpack e, em alguns casos, até o esbuild)

Mas o ponto mais importante não é só o benchmark frio — é a sensação de uso.

Quem usa Bun no dia a dia percebe:

  • bun install quase instantâneo

  • bun dev iniciando em milissegundos

  • Menos travamentos em projetos grandes

 

Bun como gerenciador de pacotes

O bun install é um dos maiores diferenciais.

Ele é:

  • Compatível com package.json

  • Compatível com node_modules

  • Compatível com npm, yarn e pnpm

Ou seja: não quebra seu projeto existente.

Internamente, o Bun:

  • Resolve dependências em paralelo

  • Usa cache agressivo

  • Evita chamadas desnecessárias ao filesystem

Na prática, em projetos grandes, ele simplesmente esmaga o npm em tempo de execução.

 

Compatibilidade com o ecossistema Node.js

Aqui está um ponto crítico:
Bun não é 100% compatível com Node.js — e nem tenta ser.

Ele implementa grande parte da API do Node:

  • fs

  • path

  • http

  • process

  • Buffer

Mas ainda existem edge cases, especialmente com:

  • Addons nativos (node-gyp)

  • Bibliotecas muito antigas

  • Dependências que assumem comportamentos específicos do V8

 

-> Conclusão honesta:
Para a maioria dos projetos modernos, a compatibilidade é suficiente. Para sistemas legados, ainda é preciso cautela.

Bun no backend

Rodar um servidor HTTP com Bun é simples e elegante:

  • Menos código

  • Menos dependências

  • Performance excelente

Ele já vem com:

  • Fetch API nativa

  • Web Streams

  • Suporte a WebSockets

Isso aproxima muito o backend JavaScript do modelo web padrão, reduzindo a distância entre frontend e backend.

Bun no frontend e fullstack

O Bun também brilha como ferramenta de build:

  • Bundler nativo

  • Transpila TypeScript sem configuração

  • Suporte a JSX e TSX

  • Integração natural com frameworks modernos

Hoje, já é perfeitamente possível usar Bun com:

  • React

  • Next.js (com algumas ressalvas)

  • Vite

  • SvelteKit

O Bun é produção-ready?

Resposta curta: depende do contexto.

Já é excelente para:

  • APIs modernas

  • Ferramentas internas

  • Microserviços

  • CLIs

  • Projetos novos

Ainda exige cuidado em:

  • Sistemas críticos legados

  • Projetos com muitos addons nativos

  • Ambientes extremamente regulados

O Bun evolui muito rápido, com releases frequentes e uma comunidade bastante ativa.

 

Minha opinião final

O Bun não veio para substituir o Node.js da noite para o dia.
Ele veio para mostrar como um runtime moderno deveria ter sido desde o começo.

Menos complexidade.
Menos ferramentas externas.
Mais performance.
Mais foco no desenvolvedor.

Se você trabalha com JavaScript hoje e ainda não testou o Bun, minha recomendação é simples:

Experimente. Mesmo que não adote agora, ele vai mudar sua forma de pensar runtime JavaScript.

O futuro do JavaScript fora do navegador não será monocultura — e o Bun já garantiu seu espaço nessa história.

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