Nos últimos dias, voltando a uma rotina mais intensa de uso do Windows 11 para trabalho e estudos, me deparei com um comportamento que, sinceramente, não dá mais para ignorar: o Discord simplesmente devora memória RAM de forma desproporcional. E não estamos falando de um pico momentâneo ou de um uso justificável por carga pesada. É um consumo contínuo, crescente e, em muitos casos, completamente fora da realidade para o que o aplicativo se propõe a fazer.
O que mais chama atenção é que esse problema não acontece de forma isolada. Basta deixar o Discord aberto por algumas horas — às vezes nem isso — para ver o consumo de memória subir de forma constante, chegando facilmente a 1 GB, 2 GB ou mais, mesmo sem chamadas ativas, sem streaming e sem uso intenso de servidores.
O sintoma clássico: vazamento de memória
Tecnicamente, o comportamento observado aponta fortemente para um memory leak (vazamento de memória). Em termos simples, isso ocorre quando o aplicativo aloca memória, mas não libera corretamente recursos que já não estão mais sendo utilizados. Com o tempo, essa memória “presa” vai se acumulando, pressionando o sistema operacional.
No Windows 11, isso fica ainda mais evidente. O sistema tem um gerenciamento de memória mais agressivo e transparente, então é fácil notar quando um processo começa a crescer sem controle. O Discord, por ser baseado em Electron (ou seja, essencialmente um Chromium empacotado), já carrega um peso considerável por natureza. Quando existe um vazamento por cima disso, o resultado é desastroso.
Não é uso pesado. É ocioso mesmo.
O ponto mais irritante desse problema é que ele acontece em cenários ociosos. Não estou falando de dezenas de servidores ativos, bots complexos, chamadas de vídeo em 4K ou compartilhamento de tela. Em muitos casos, o Discord está simplesmente aberto em segundo plano, com um ou dois servidores, sem interação constante.
Mesmo assim, o processo cresce:
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Discord.exe
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subprocessos do Chromium
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módulos de renderização e GPU
Tudo isso somando centenas de megabytes extras sem explicação plausível.
Impacto real no sistema
Esse tipo de bug não é apenas um número feio no Gerenciador de Tarefas. Ele afeta diretamente o uso do sistema:
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Quedas de desempenho em outras aplicações
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Aumento de uso de swap/pagefile
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Lentidão geral após horas de uso
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Em máquinas com 8 GB ou 16 GB de RAM, o impacto é claramente perceptível
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Em casos extremos, necessidade de reiniciar o Discord (ou o próprio sistema)
Para quem trabalha com desenvolvimento, máquinas virtuais, containers, IDEs pesadas ou até jogos, isso vira um gargalo real.
Electron não é desculpa para tudo
É comum ver esse tipo de problema sendo “justificado” com o argumento de que Electron é pesado. Sim, ele é. Mas isso não justifica vazamento de memória. Existem inúmeras aplicações Electron que conseguem manter um uso estável de RAM ao longo do tempo.
O problema aqui não parece ser apenas o framework, mas sim:
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Gerenciamento inadequado de eventos
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Renderização contínua de componentes não utilizados
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Cache excessivo sem descarte
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Possíveis leaks ligados a WebSocket, mídia ou plugins internos
Ou seja: é bug, não característica.
Soluções paliativas (nada definitivas)
Até que isso seja tratado de forma decente, o que resta são apenas contornos:
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Reiniciar o Discord periodicamente
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Desativar aceleração por hardware (em alguns casos ajuda, em outros não)
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Evitar deixar o app aberto por longos períodos
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Usar a versão web (que também não é perfeita, mas às vezes consome menos)
Nada disso resolve o problema de fato. Apenas mascara.
O que incomoda de verdade
O mais frustrante não é nem o bug em si — software falha, isso é esperado. O que incomoda é a recorrência desse tipo de problema em um aplicativo que é praticamente padrão para comunicação hoje, inclusive em ambientes profissionais.
Quando um app de chat passa a competir por memória com uma IDE, um banco de dados local ou uma VM, algo está muito errado.
O Discord no Windows 11 apresenta, sim, um comportamento preocupante de consumo excessivo de memória RAM que se encaixa perfeitamente no padrão de vazamento de memória. Não é um caso isolado, não é uso extremo e não é paranoia de quem fica olhando o Gerenciador de Tarefas o tempo todo.
É um problema técnico real, perceptível, reproduzível e que precisa ser tratado com mais seriedade. Até lá, fica a sensação de que um aplicativo que deveria ser simples virou mais um exemplo de como abstrações mal cuidadas podem cobrar um preço alto no uso diário.
Se você também percebeu isso, não é impressão sua. O problema existe.