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Polars: Por que está se tornando a escolha preferida em vez do Pandas para Big Data

Postado por Eduardo Marques em 15/03/2026
Polars: Por que está se tornando a escolha preferida em vez do Pandas para Big Data

Nos últimos anos, quem trabalha com Python para análise de dados quase sempre teve um padrão estabelecido: usar Pandas. Ele se tornou praticamente sinônimo de manipulação de dados dentro do ecossistema Python.

Entretanto, conforme os volumes de dados cresceram e os ambientes computacionais evoluíram (máquinas com múltiplos núcleos, grandes quantidades de RAM e workloads cada vez mais pesados), começaram a aparecer limitações claras no modelo de execução do Pandas.

Nesse cenário surge uma alternativa extremamente interessante: Polars.

Polars vem ganhando espaço rapidamente na comunidade de dados e engenharia de dados por oferecer execução paralela, melhor uso de memória e desempenho significativamente superior em muitos casos. Este artigo explora em profundidade o que é o Polars, por que ele está se tornando popular e em quais cenários ele pode substituir o Pandas.

 

O domínio histórico do Pandas

 

Durante mais de uma década, o Pandas foi o padrão para manipulação de dados em Python. Criado por Wes McKinney, ele trouxe um modelo de DataFrame inspirado no R, que rapidamente conquistou cientistas de dados e engenheiros.

Algumas razões para sua popularidade incluem:

  • API simples e expressiva

  • Forte integração com o ecossistema Python

  • Compatibilidade com bibliotecas como NumPy, Matplotlib e Scikit-learn

  • Grande comunidade e documentação

Por muito tempo ele resolveu praticamente todos os problemas de manipulação de dados dentro de projetos Python.

No entanto, o mundo de dados mudou.

Hoje é comum lidar com:

  • arquivos de dezenas de gigabytes

  • pipelines de dados complexos

  • análises em datasets massivos

  • workloads distribuídos

E é justamente nesse ponto que o Pandas começa a mostrar suas limitações.

 

As limitações estruturais do Pandas

 

O principal problema do Pandas não está na API ou na comunidade, mas sim em sua arquitetura interna.

Algumas limitações importantes incluem:

1. Execução majoritariamente single-thread

O Pandas executa a maior parte das operações usando apenas um núcleo da CPU.

Isso significa que, mesmo em máquinas modernas com:

  • 8 cores

  • 16 cores

  • 32 cores

grande parte do poder computacional fica ocioso.

2. Uso ineficiente de memória

Pandas utiliza estruturas baseadas em NumPy, o que muitas vezes gera:

  • cópias desnecessárias de dados

  • consumo elevado de memória

  • overhead de conversões

Em datasets muito grandes, isso pode levar rapidamente a MemoryError.

3. Performance limitada em datasets massivos

Operações como:

  • groupby

  • joins

  • agregações

  • filtros complexos

podem se tornar significativamente lentas quando os datasets crescem.

É nesse contexto que surgem novas abordagens arquiteturais — e o Polars é uma delas.

 

O que é Polars

 

Polars é uma biblioteca moderna para manipulação de dados criada com foco em:

  • performance

  • paralelismo

  • eficiência de memória

  • processamento de grandes volumes de dados

A biblioteca foi criada por Ritchie Vink e escrita principalmente em Rust, uma linguagem conhecida por oferecer:

  • alta performance

  • segurança de memória

  • excelente suporte a concorrência

O Polars possui bindings para Python, permitindo utilizá-lo de forma muito semelhante ao Pandas, mas com ganhos enormes de desempenho.

 

Arquitetura moderna: a grande vantagem do Polars

 

O grande diferencial do Polars está em sua arquitetura.

Ele utiliza conceitos modernos de processamento de dados inspirados em motores analíticos como Apache Arrow.

Isso traz várias vantagens.

1. Execução paralela automática

Diferente do Pandas, o Polars utiliza todos os núcleos da CPU automaticamente.

Isso significa que operações como:

  • filtros

  • agregações

  • joins

  • groupby

podem ser executadas em paralelo sem que o desenvolvedor precise escrever código de concorrência.

Na prática isso pode resultar em ganhos de performance de 5x até 50x, dependendo do tipo de operação.

2. Modelo colunar eficiente

Polars utiliza um formato de memória colunar, baseado em Apache Arrow.

Isso permite:

  • leitura muito mais rápida

  • operações vetorizadas eficientes

  • melhor compressão de dados

  • menor uso de memória

Esse modelo é amplamente utilizado em sistemas de Big Data e bancos analíticos modernos.

3. Lazy Execution (execução preguiçosa)

Uma das características mais poderosas do Polars é o Lazy Execution.

Em vez de executar cada operação imediatamente, o Polars pode:

  1. construir um plano de execução

  2. otimizar esse plano

  3. executar apenas o necessário

Isso permite otimizações como:

  • predicate pushdown

  • projection pushdown

  • eliminação de operações redundantes

Esse tipo de otimização é comum em bancos de dados analíticos e engines de consulta.

 

Exemplo comparando Pandas e Polars

 

Pandas

import pandas as pd

df = pd.read_csv("dados.csv")

resultado = (
    df[df["valor"] > 100]
    .groupby("categoria")
    .agg({"valor": "mean"})
)

Polars

import polars as pl

df = pl.read_csv("dados.csv")

resultado = (
    df.filter(pl.col("valor") > 100)
      .groupby("categoria")
      .agg(pl.col("valor").mean())
)

A API é extremamente parecida, o que facilita a adoção.

Mas internamente o Polars:

  • paraleliza as operações

  • otimiza o plano de execução

  • reduz cópias de memória

 

Lazy Mode no Polars

 

Uma funcionalidade muito poderosa é o Lazy Mode.

df = pl.scan_csv("dados.csv")

resultado = (
    df.filter(pl.col("valor") > 100)
      .groupby("categoria")
      .agg(pl.col("valor").mean())
      .collect()
)

Nesse caso:

  • o CSV não é carregado completamente na memória

  • apenas as colunas necessárias são lidas

  • filtros podem ser aplicados diretamente no arquivo

Isso pode reduzir drasticamente o uso de memória e tempo de execução.

 

Quando usar Polars

 

Polars é particularmente vantajoso em cenários como:

Engenharia de dados

Pipelines ETL com:

  • transformações pesadas

  • joins complexos

  • datasets grandes

Big Data local

Quando se trabalha com grandes datasets em uma única máquina.

Em muitos casos Polars pode substituir soluções distribuídas mais pesadas.

Processamento de logs

Arquivos grandes como:

  • logs

  • telemetria

  • eventos

Análises de grande escala

Exploração de datasets com milhões ou bilhões de linhas.

 

Quando ainda usar Pandas

 

Apesar das vantagens, Pandas ainda possui alguns pontos fortes.

Ele ainda pode ser melhor quando:

  • o dataset é pequeno

  • o ecossistema precisa de integração com bibliotecas antigas

  • o time já possui pipelines extensos em Pandas

Além disso, muitas bibliotecas Python ainda esperam objetos Pandas como entrada.

 

O futuro do processamento de dados em Python

 

O surgimento do Polars faz parte de uma tendência maior no ecossistema de dados:

bibliotecas modernas focadas em performance e paralelismo.

Algumas tecnologias que seguem essa mesma linha incluem:

  • DuckDB

  • Apache Arrow

  • Apache Spark

Todas elas apostam em:

  • processamento colunar

  • execução paralela

  • otimização automática

Polars se encaixa perfeitamente nessa nova geração de ferramentas.

Durante anos o Pandas foi a ferramenta dominante para manipulação de dados em Python — e continua sendo extremamente útil.

No entanto, à medida que os volumes de dados aumentam e os requisitos de performance se tornam mais exigentes, ferramentas mais modernas começam a ganhar espaço.

Polars representa uma evolução importante nesse cenário.

Com:

  • execução paralela

  • melhor uso de memória

  • lazy execution

  • integração com Apache Arrow

  • performance muito superior em diversos casos ele vem se consolidando como uma das alternativas mais promissoras ao Pandas.

Para profissionais de dados, cientistas de dados e engenheiros de dados, vale muito a pena começar a explorar essa ferramenta desde já.

Nos próximos anos é muito provável que o Polars deixe de ser apenas uma alternativa e passe a ser uma peça central no ecossistema de dados em Python.

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